(sugestão: escute Slowly - Veluria)
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Um cervo tem chance de observar o leão antes de seu ataque mortal. Por que não pôde ser assim? Por que o ataque tinha que ser instantâneo e fatal? Não tive chance nem de inspirar um último ar de tranquilidade. Não tive como me defender. Não pude correr. Não tive chance. Mas tinha tido uma escolha.
Essa prisão aberta que prende. Por que não fugir? Ser livre de novo? Será que por mais doloroso que seja, haja tanto veneno e tanto sentimento doentio à ponto de ter preferência pela dor? Há liberdade lá fora. Mas ao mesmo tempo em que há liberdade, pode haver prisão também. Porque não é simplesmente espaço físico. Na verdade é muito mais que isso.
A prisão é dentro. É um lugar escuro, sombrio e profundo. Tão fundo que se tentasse subir suas paredes cortantes, antes de me acabar em uma queda, sofreria até a morte em suas pontas. Pontas essas cada dia mais compridas e afiadas. O que seria melhor fazer? Suicídio por tentativa ou homicídio por motivo torpe?
Honestamente, uma última tentativa feita será concretizada. Não será pra tentar fugir, mas pra tornar mais fundo algo já sem fundo. Quem sabe se houver entrega total, haja paz espiritual. Uma leve brisa é sentida, enquanto escavo uma luz é vista, um reflexo é levemente reconhecido. Finalmente. Eu pude realizar um último desejo.
Antes de me perder nessa prisão, tive a doce sensação de minha perda dentro de mim mesma; aquela pontada de liberdade foi uma última vez sentida e houve medo da parte lesada. Uma promessa então foi feita. A de nunca mais tentar e apenas aceitar. Aqui dentro apesar de doloroso, é aconchegante quando aceito. E sinceramente, há preferência maior pelo aconchego do que pelo incômodo.
É dolorido? É sim. É muito.
Mas sabe,
A profundidade não acaba,
Só continua...
um dia, quem sabe,
A paz
E liberdade
Tão aguardadas
Sejam alcançadas.

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