CARTA AO MEU MAIOR VÍCIO





Eu vejo você, feliz e satisfeito, e posso jurar que se alguém me beliscar tudo isso some. Vejo você sorrindo de forma lúcida e irônica pra um outro alguém que não eu. Sempre imaginei que a vida fosse um sonho e que em algum momento eu fosse acordar e contar pra todos sobre o que eu aprendi enquanto estava adormecida. Pode parecer louco, mas é a mais pura verdade. Mas você nunca pensou nisso, tenho certeza. Afinal de contas, você sempre foi o “pé no chão” e eu a “Alice sonhadora”.

Eu posso jurar que me sinto levitando cada vez que penso em você e o quão excluída totalmente eu sou da sua “atual” vida. Não sei se tenho raiva de mim ou de ti, porque sinceramente o problema não fui eu, certo? Certo? Mas é claro que não fui eu. Eu não fui nem um pouco egoísta, apenas queria ter meu espaço e meu lugar na cama intactos quando deitasse, bem como meu leite quente no meu lugar na mesa. Eu não fui possessiva, só te queria inteiramente pra mim e ai de quem chegasse perto, mas isso é romântico, certo? Eu não sou e nunca fui bagunceira, quer dizer, só na minha própria bagunça.

A questão pra você eu sei que não era minha bagunça física mas minha bagunça mental, e deixa eu te contar um segredo? Você que me bagunçava dessa forma e nunca conseguiu me organizar, nos organizar, me reabilitar novamente. Você que não me ensinou a viver sem sua presença. Você que disse que pra sempre eu seria sua, e parando pra pensar, acho que essa foi a maior verdade que você já disse pra mim em todo o nosso convívio. Depois de tantas quedas, achei que você ao menos se preocuparia, mas eu estava amargamente enganada que em você existia amor e piedade.

Me chamam de louca, mas minha única loucura é você. Tento me viciar em outras coisas, mas só me sacio quando você está por perto. O que mais me irrita é que quando você não tá bem, você vem até mim e abusa do amor que sabes que sinto por ti, me diz que vai voltar e vamos ser felizes juntos, mas na manhã do dia seguinte, me vejo completamente sozinha novamente. Não sou apenas um objeto que você simplesmente usa e quando cansa deixa no canto de novo. E o problema sou eu que ainda te dou oportunidade de voltar. Eu te amo e você sabe, mas eu não aguento mais te amar tanto e ao mesmo tempo te odiar. Isso é demais pro que você chama de "Delírios da Alice".

Você é meu único e verdadeiro delírio, mas antes que você me afunde mais, deixa eu parar com essa dor, pra mim e pra você. Porque eu sinto verdade em suas palavras quando estamos juntos. O problema é só a nossa famosa "bagunça mental". Mas ei, deixa eu resolver nosso problema agora? Que pra mim é maior ainda. Eu te amo, mas acima de tudo, como você sempre me disse, e hoje eu percebo que foi esse o meu erro, "amor próprio é o que vale querida".


Ass. Alice, a Alice que vai sempre estar presente nos seus sonhos mais sórdidos.

heterônima

Um comentário:

  1. Acho que eu já tinha lido esse texto nessas vezes em que tu me manda - sou privilegiada -, mas já faz tempo suficiente pra que eu não me lembrasse mais de tudo. Então senti as coisas como novas. E tu mudou algumas coisas.
    Fiquei um pouco perturbada imaginando como seria me identificar de fato. Primeiro imaginei que (só) ela fosse louca (o que justificava a ida dele), depois fiquei com raiva dele por usar periodicamente o amor que ela sente. Enfim. A verdade é que nunca sei transcrever o que senti, mas com certeza senti algo com esse texto. Uma facada no coração. Será que a gente tem vocação pra textos de bad?

    ResponderExcluir

Instagram