“Sabe aquele dia? Quando você estava cantando pra mim
enquanto eu ria? Meu bem, você lembra das suas caretas? E daquela tarde? Quando
nos deitamos na areia da praia já fria por estar escurecendo e você me abraçou
muito forte, quase chorando, me perguntando se seria pra sempre? Lembra de
quando estávamos no meu quarto e você disse pra eu nunca ter medo, porque você
comigo sempre iria estar?
Me lembro como se fosse hoje do dia, daquele fatídico dia.
Aquele em que você saiu e não voltou, simplesmente por não conseguir. Eu queria
estar lá, como eu queria! Para poder te abraçar e te falar que tudo ficaria bem
e que juntos superaríamos. Eu contei pros nossos filhos todas as nossas
histórias, sem exceção. Mas nesse momento, meu maior desejo é saber o que se
passa dentro da sua cabeça e se um dia você voltará, só pra me contar o quão
tola eu sou por não acreditar que você realmente voltará.
O sempre é uma palavra muito recorrente em nosso dicionário,
e ao contrário não poderia ser, não é? Nós sempre juntos fizemos todas as
loucuras e impossíveis baixarias (claro que para nós elas eram possíveis, já
que concluímos todas com êxito). E enquanto você tá aí eu estava me preparando
pra te ver voltar e pensando quando isso finalmente iria acontecer. E agora, me
debulhando em lágrimas sentada nessa cadeira com você deitado ao meu lado, o
que você pensaria se eu dissesse pra você que sem esperanças eu já estou? Qual
é amor, esse clima mórbido não combina nem um pouco com você. Não combina com a
gente.
Meu amor, volta pra mim, porque pra sempre eu prometo que te
amaria. Amaria? Sim, amaria, no futuro do pretérito simples do singular com uma
ideia de tempo futuro mas que ao mesmo tempo parece tão distante e tão passado.
E nesse segmento de tempo futuro já passado, bem que eu queria que você abrisse
os olhos, pra eu poder te beijar e te dizer o tamanho da falta que sentia...”
(Vejo então flashes passando por mim, mulheres e homens
vestidos de branco com um aparelho que te fazia pular e um som ensurdecedor).
-Mamãe? - escuto nosso filho mais velho dizendo ao me
abraçar por trás tentando me virar para ele e então sinto a lágrima que nunca
imaginei que de meus olhos fugiria.

Muito bonito, profundamente sentimental ❤
ResponderExcluirJá tinha lido antes. Chupa fãs. AEURHAU Então vou só reafirmar o que tu já sabe: meu coração morreu e voltou à vida (amém) enquanto eu lia este texto. Muita coisa ficou à mercê da interpretação, e essa é uma parte da graça, né? Enfim. Senti uma ponta da dor como se fosse comigo. Sofri.
ResponderExcluir(um dia tu ainda vai escrever um felizinho)
BEIJO